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Como se tornar um líder de gestão estratégica

Os novos tempos em que vivemos pedem uma nova definição de líderes. Não se aplica mais o conceito básico de subordinação. Precisamos de menos chefes e mais líderes. 

 

O líder faz as pessoas ultrapassarem os limites, enquanto que o chefe apenas cumpre as metas. Enquanto chefes cumprem suas funções de coordenação de pessoas e de gestão de negócios, líderes transformam as pessoas e constroem negócios a partir de sonhos.

 

Mas o que torna alguém um líder?!

 

Dizem que há mais de 150 definições de "liderança" nos manuais de administração e que existem mais de 3100 livros americanos publicados com a palavra "líder" no título. A palavra de busca "Líder" no Google traz 41.200.000 páginas. Em uma navegação diagonal,  percebe-se que todas exigem de profissionais "líderes" posturas distintas do que se espera de um CEO, por exemplo. O consenso considera que, para se tornar um líder, uma pessoa deve estar incluída em uma rede de pessoas e conseguir, por meio dela, unir diferentes perfis em uma ação conjunta, em torno de uma causa comum. Ele coloca suas competências a serviço de suas visões, seus valores e seus objetivos; visualiza o futuro; mobiliza esforços e engaja as pessoas para o mesmo fim.

 

Líderes, com sua raiz etimológica no latim ducere, que significa "conduzir" (no inglês, se tornou "to lead"), são capazes de viabilizar grandes realizações por meio de equipes, compreender e explorar o que existe de melhor em cada pessoa e reduzir a distância entre objetivo e resultado; enfim, eles têm seguidores que os seguem porque percebem que eles promoverão o que as pessoas mais procuram: alternativas para sua jornada pessoal e profissional. Administradores trabalham com pessoas, os líderes mexem com as emoções.

 

Mas isso, por si só, não faz o líder moderno, ou seja, o líder empreendedor. O empreendedor, palavra de origem greco-latina ("pegar para conquistar"), é mais do que um empresário. Quem abre um negócio é, a priori, um empresário que visa "poder": o de buscar lucro para crescer e expandir. Um empreendedor também visa "poder", mas vai além, na busca do novo, do nunca experimentado, do aparentemente "louco". O empreendedor é sempre impelido por três valores-chave: propósitos ousados - muitas vezes, carimbados por outros de "utopia"; envolvimento de talentos - buscando as melhores pessoas que puder, para trabalhar com ele e confiando que elas podem realizar o melhor trabalho para ele e para elas próprias; movimento de "quebra-mesmice" - muitas vezes, pichado de "subversivo".

 

Quais são então os cinco passos para realizar uma Gestão Estratégica de Liderança - Empreendedora?

 

Passo 1: Criar um ambiente de trabalho aberto, franco, informal e inovador, onde ideias e críticas fluem como mercúrio; como o fez Jack Welch, que sempre forçou iniciativas que promoviam o empowerment - a delegação com responsabilidade e equipes autogeridas. E mais: não só criar condições para empreender, mas também formar empreendedores; nisto reside o grande desafio de qualquer programa de liderança empreendedora corporativa.

 

Passo 2: Aplicar, através dos seus seguidores, práticas de gestão empresarial, de valor oxigenado, por seu alto teor de aprendizado contínuo; lembrando que deve estar preparado para enfrentar as contingências, os riscos e as loucuras do mundo dos negócios.

 

Passo 3: Criar movimentos de multiliderança; como uma pedra jogada na água, criar ondas circulares. O Líder sabe para onde se dirige. Ninguém pode segui-lo se você não souber para onde vai. Os melhores líderes sabem que só direção não basta mais, eles são contadores de história, líderes de torcida e facilitadores.

 

Uma das definições mais singelas é de Jack Welch: "Ser líder é ajudar outras pessoas a crescer e a alcançar sucesso" (segundo o livro "Winning").

 

Passo 4: Empenhar-se em gerar - ou superar os resultados esperados, integrando as atividades das pessoas, estimulando a aprendizagem contínua de suas equipes e promovendo a inovação. As competências ligadas ao papel de gestão devem ser treinadas por todos os profissionais, mas para os líderes essa importância torna-se ainda maior.

 

Quais seriam as competências "natas" de um líder - voltadas à gestão de pessoas?

 

Passo 5: Desenvolver para si e para os membros da equipe um conjunto de competências que permitam superar limites, bem como um estilo capaz de orientar pessoas e influenciar ambientes; ou seja, aprender a comunicar objetivos de forma a ganhar o comprometimento da equipe; definir padrões de alto desempenho, compreender as necessidades e deficiências de cada profissional; estimular as ambições e virtudes de cada profissional; dar e receber feedback; conduzir reuniões com transparência e objetividade; estar antenado com o mundo exterior, para alimentar um ambiente propício à inovação.

 

Em cada estágio dessa evolução, o Líder aprimora-se na função atual e prepara-se para as funções futuras.

 

Com base nos cinco passos acima, o líder aponta marcos e desafios relevantes na educação de futuros líderes.  O desafio do novo líder é mobilizar as pessoas para implantar mudanças. Para criar o novo, é preciso fazer a chamada "destruição criativa"; em outras palavras, o líder deve estimular pessoas a desaprender ("destruir") atitudes velhas (p.ex. em time que ganha não se mexe) e criar um ambiente de mente aberta, onde as pessoas trazem suas ideias de inovação para a mesa, discutem objetivamente  e chegam num consenso, guiadas por uma atitude que prega: hoje somos bons, amanhã podemos ser melhores.

 

Não é mais apenas a gestão das pessoas; é, sobretudo, a gestão da base de conhecimento e do uso das informações. É a gestão do intangível, do conhecimento e da mobilização das pessoas, para aplicarem seu conhecimento para a mudança. Esse novo líder, então, tem que aprender a sintetizar e expor, de forma clara e objetiva, influenciando e conseguindo que cada um faça aquilo que é o melhor a ser feito, na visão dele.

 

Não tenha medo de ter sucesso, mas lembre-se: O atleta treina mais do que compete; com o líder empreendedor acontece o contrário: ele compete mais do que treina, ou seja, há aqui uma inversão de polos. Portanto, treine, treine, treine...

 

Autor: Werner Kugelmeier
Fonte: http://www.institutojetro.com/

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